quarta-feira, 5 de junho de 2013

HISTÓRIA DAS PICAPES


História das Picapes

Com a evolução da indústria automotiva moderna, surgiu, nos Estados Unidos, as primeiras transformações nos carros de série, substituindo a parte traseira por uma plataforma de cargas. Nasceram, assim, as primeiras picapes. Veículos adaptados para solucionar problemas de logística, facilitando o transporte com fins comerciais ou particulares.
As primeiras picapes são remanescentes de adaptações no modelo da Ford T e A, a partir da substituição da parte traseira por uma plataforma de cargas. Uma invenção aparentemente simples, que mudou a realidade dos camponeses norte-americanos, ao possibilitar o transporte de pessoas e de bens de forma rápida, facilitando a vida de fazendeiros e negociantes.
Logo, os automóveis adaptados ganhariam o coração e a preferência dos norte-americanos, e mais tarde, conquistariam adeptos no mundo todo. Assim, durante a Grande Guerra, a pedido do governo dos Estados Unidos, os irmãos John e Horace Dodge construíram as primeiras picapes com fins militares. Eles respondiam também pela mecânica dos primeiros 500 mil veículos Ford T.
1918 – Enquanto a epidemia de gripe que assolou a Europa chega ao Brasil, a caminhonete criada pelos Dodge, para servir como ambulância durante a guerra, passa por uma nova adaptação e se transforma em uma picape convencional, batizada convenientemente de Dodge Brothers ½ ton Screenside Commercial Car. A versão chegou ao mercado com quatro cilindros de 35 CV.


1918 – No mesmo ano, a Chevrolet lançou sua picape 490 Light Delivery, baseada no carro 490. Este modelo, um quatro cilindros de 21,7 CV, tinha como missão estabelecer concorrência direta com o Ford T.


1925 – No ano em que Albert Einstein visita o Brasil, a Ford começa a comercialização do modelo Ford T Runabout, a primeira picape fabricada em série pela mesma montadora. Começa então uma escalada de poderes, com a abertura da concorrência por modelos de picapes mais evoluídos entre as montadoras.

1929 – No período marcado pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, a Chevrolet revoluciona e apresenta o primeiro modelo seis cilindros em linha 65 CV (HP).


1932 – A Ford responde lançando uma picape V8 com desempenho semelhante ao modelo da Chevrolet, no ano da Revolução Constitucionalista.


1933 – É a vez da Dodge apresentar em sua linha de produção uma picape seis cilindros.
Durante esses primeiros anos de criação, as picapes mostraram toda sua versatilidade de uso e ganharam lugar de destaque na história automobilística moderna. Nos anos 50, os veículos norte-americanos de destaque exibiam sob seu capô um V8, tendência que impôs a Série F da Ford, em 1948, com a F-150 Regular Cab.
1948 – Nesta década, a Dodge produziu a Série B e C, em modelos extremamente confortáveis e de fácil condução. Neste ano, marcado pela independência de Israel, produziu a Série B, de 500 e 750 kg, foi montada em seis cilindros de 95 CV, com potência até 102 CV, para modelos de até uma tonelada de carga.

1950 – Nesse período, enquanto o Brasil respira a Copa do Mundo de Futebol, a Chevrolet lança o modelo 3.800, um seis cilindros de 90 CV que introduziu o câmbio sincronizado para evitar que o usuário tivesse de fazer a manobra de embreagem dupla. O período pós-guerra se caracterizou pela evolução do design das picapes, com melhor nível de navegação e conforto.

1954 – No ano em que Getúlio Vargas se suicida, a Chevrolet lança no mercado uma picape 3.800 de 112 CV, com câmbio automático Hydramatic, como opcional. Adicionalmente, a Dodge apresenta a Série C, com as primeiras picapes V8 da marca, que partiu do modelo básico 145 CV, alcançando sua versão de carburador de cano duplo, a 172 CV.
No fim desta década, o Japão estava preparando uma verdadeira revolução automobilística. Datsun (Nissan) lançou sua picape. Diferente dos monumentos colossais V8 norte-americanos, o Datsun chegou ao mercado como um modesto quatro cilindros de 1.000 cc e 37 CV. Seu sucesso foi moderado, num primeiro momento. Porém, alcançou popularidade quando seu motor foi substituído por um 1200 cc de 60 CV. Contudo, a consagração definitiva só chegou em 1965, com o Datsun 520, recorde de vendas de importação.
Até aquele momento, outro fabricante japonês, Mazda, mantinha há dois anos a Série B no mercado: uma picape ao estilo oriental, compacta e econômica.
A indústria européia, no entanto, não passou alheia a este fenômeno. Porém, não obteve muito sucesso em seu mercado. Alguns modelos como Peugeot 404 Pick-Up foram produzidos quase que exclusivamente para mercados como a África. Em outros casos, como o Land Rover versátil, a solução foi cobrir a cabine com um telhado de alumínio.
Aos poucos, outros fabricantes aderiram às picapes em suas linhas de produção, em modelos com versões para gasolina e diesel, como as marcas Mitsubishi, Nissan, Toyota e Isuzu, no leste, GMC e os três grandes clássicos dos Estados Unidos: Ford, Chevrolet e Dodge.
Atualmente, as picapes ganharam nova esfera e exibem modelos que atrelam design, conforto, expressiva capacidade de carga e navegação por diversos terrenos, com oferta de modelos surpreendentes, como a Terradyne GMC, Dodge MAXXCab, Volkswagen ACC (Amarok), o esportivo Chevrolet SSR ou Power Wagon, modelo robusto da Dodge.
Assim, com a evolução contínua da indústria de picapes e com a oferta de modelos cada vez mais modernos e consistentes, os apaixonados por picapes podem aguardar por novidades cada vez mais inovadoras neste segmento.
*Texto baseado em “Historia de las pick-up”, do jornalista argentino Adrián Baer, para o site Coches Míticos.